segunda-feira, 9 de setembro de 2013

DEMOCRACIA BRASILEIRA, OU; O PRETÓRIO DE PILATOS


A democracia compreendida como a possiblidade da indiferença entre a experiência da fé e o ultraje a culto pôde muito bem ser vista (por quem não acha a realidade exterior uma impressão sensível enganosa) quando, durante a vigília dos peregrinos católicos na Praia de Copacabana, algumas vadias se reuniram para marchar com os seios nus e gritar histericamente “Estado laico já”. Nossa presidente, sendo aquela combinação maquiavélica de leão e raposa na figura da princesa que dissimula seu criminoso ateísmo comunista, posou para as fotos simpaticamente ao lado do Papa, e, momentos depois, fez o mesmo com algumas das vadias. Levou para casa o título de Rainha dessa categoria de mulheres.

Com o discurso persuasivo e comovente da raposa, dias antes nossa presidente emulara subversivamente as palavras do Sumo Pontífice, apresentando-se como aquela que está tentando construir o Paraíso dos justos na terra; contudo, ela foi depois leão, ao permitir que suas caras vadias perpetrassem as maiores obscenidades usando o crucifixo, símbolo de nossa fé, em local próximo ao da vigília em Copacabana, certamente na tentativa de provocar a massa de crentes que, ao contrário da expectativa delas, permaneceu em silêncio, quase num temor reverencial diante de uma antevisão da Besta. Afinal, aprendemos dolorosamente que, em nome da democracia, o ato de amar e temer o Verbo incriado, encarnado e inspirado, imolado como inocente cordeiro, não pode fruir de sua evidente superioridade axiológica e deve equivaler, em respeito da tolerância mais paradoxal, ao ato de introdução de crucifixos nas cavidades anais de algumas aspirantes a mênades, que justificam tal perversidade com sua luta pela descriminalização do aborto.

Três milhões de cristãos emudeceram naquele crepúsculo porque na verdade somos silenciados desde pequenos em todas as instituições públicas de ensino e de cultura. Quantas vezes alunos cristãos são repreendidos severamente por professores militantes em sala de aula, e quantas vezes professores cristãos são violentamente atacados pela súcia de pedagogos ateus ou agnósticos que povoa o Olimpo acadêmico? Com o triunfo da Hermenêutica da Suspeita na universidade, todo aquele que discursa apologeticamente em favor das verdades da fé narradas no Símbolo Atanasiano, é automaticamente tachado de lunático criacionista, homofóbico, inquisidor, caçador de bruxas, fundamentalista religioso, ou, na melhor das hipóteses, de uma pessoa ingênua, desinformada e inculta (como se compreender a consubstancialidade das Três Pessoas fosse fantasia ou alucinação de um psicótico ignorante).

No lugar da Santíssima Trindade, adorada por aqueles três milhões de cidadãos brasileiros que peregrinaram para viverem a fé em comunhão, a intelectualidade despudoradamente impõe o culto à tríade ctônica, Marx, Freud e Nietzsche, pedindo prisão em regime fechado para todo aquele que marcha para Jesus Cristo e se declara contra a descriminalização do aborto, a descriminação do porte de entorpecentes (ou de seu uso “ostensivo”) e o desagravo das penas para crimes contra a pessoa humana (já que pelo projeto da reforma do código penal abandonar um animal será mais grave do que abandonar uma criança). O silêncio é ainda mais medonho no que diz respeito ao casamento gay: em nome da transvaloração dos valores e da irrepreensibilidade da incontinência da libido, danem-se o sexo genital, a família e a criação da prole. Pra quê a estrutura natural da geração, não é mesmo? Flagelação, prisão e ostracismo para quem for contra a união civil de homossexuais.

Que falta nos faz um Atanásio, um Clemente Alexandrino, um Agostinho, um João Crisóstomo, um Máximo, o Confessor, um Boaventura, para dar nome aos bois, denominando de estultos os acadêmicos, parlamentares e jornalistas que falam desde o trono da mais alta burrice. Com uma intelligentsia nacional dedicada à descristianização da sociedade, formando hermeneutas da suspeita que, uma vez instrumentalizados pelo arcabouço conceitual de Marx, Freud e Nietzsche, infestam a universidade e a rede pública de ensino imprecando nocivamente contra as instituições eclesiásticas, difamando a tradição apostólica, caluniando santos e exigindo a instauração de uma espiritualidade gnóstica avessa à autoridade da Igreja e impermeável à cosmovisão própria dos que pertencem à communio ecclesiae, não resta dúvida de que estado, academia e mídia estão alinhados no combate aos valores cristãos enraizados na cultura de milhões de brasileiros. Assim, o povo de Deus não apenas emudeceu diante da marcha das vadias que profanavam os crucifixos, como se encurvou sem reação alguma a um dos ataques mais mortíferos já organizados pela intelectualidade que tomou para si o posto de elite dirigente.
 
Seguros de que podem evocar na ralé militante as piores reações caso apontem para um religioso e o chamem publicamente de “fundamentalista”, “autoritário” ou “neurótico”, os filósofos do perigo garantiram para si aquela posição central de oradores demagogos numa ágora semelhante ao Pretório de Pilatos, instituição basilar tão comum em democracias fundadas sobre a indiferença entre virtude e criminalidade.

3 comentários:

  1. Olá... acehi interessante seus cometários em diversos canais, tenho uma certa afinidade com suas contestações e cometários, mas tenho tambpme o defeito (acho) de achar que tudo faz certo sentido, sem profundidade absoluta... mas essencialmente busco por uma conceitualização da nossa vida em bases critã, minha formação familiar fundamental... qual em sa visão é um bom caminho para me auxiliar aos desafios na vida, por uma qualidade nos pensamentos e no legado humano da felicidade para mim e os que amo?

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  2. Caro Luke, grato pelo seu comentário.

    Cristo é a Verdade, o Caminho e a Vida. Devemos nos confiar a Ele. Assim, se me permite a sugestão, confie no poder da oração, pois a oração do Senhor (o Pai-Nosso) ensina-nos a rezar com retidão, pois nela cada um não ora unicamente para si mesmo, mas por todos, como Deus nos ensinou.

    São Cipriano de Cartago (séc. III) nos auxilia no processo de compreensão e recitação do Pai-Nosso, pois na obra intitulada "A Oração do Senhor" ele aponta para o íntimo do homem onde Deus habita, isto é, nosso coração, de modo que rezar com voz moderada, em tom de temor reverencial e disciplinadamente, é ação que auxilia nosso espírito a celebrar Deus em uma prece condensada, que a Ele se eleva e na qual Ele ouve nosso coração.

    Pedir a Deus o que pede o Pai-Nosso, ser um mendigo de Deus, como dizia Agostinho, é mostrar a Ele que não somos autárquicos, que precisamos de seus dons, que reconhecemos humildemente ser Ele o Altíssimo, entregando-nos completamente em suas mãos, confiando-nos sempre a Ele.

    Orar com Cristo e no nome de Cristo é orar de modo plenamente cônscio, é a prece cristã que conduz ao caminho para Deus.

    Fique com Deus,
    Clemente

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