segunda-feira, 19 de agosto de 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Santo Efrém, Hino sobre a Natividade (11, 6-8)

 
 
O Senhor veio nela
para fazer-se servo.
O Verbo veio nela
para silenciar no seu seio.
O raio veio nela
para não fazer ruído algum.
O Pastor veio nela
& eis o Cordeiro nascido,
que submisso chora.
Pois o seio de Maria
inverteu os papéis:
Aquele que criou todas as coisas
entrou na sua posse, mas pobre.
O Altíssimo veio nela,
mas envolto em humildes panos.
Aquele que prodigaliza todas as coisas
conheceu a fome.
Aquele que sacia a todos
conheceu a sede.
Nu & despojado saiu dela,
Ele que reveste todas as coisas.
 
 

I Conversão

                                                                            I

Deus Pai, Onipotente, Onisciente & Onipresente, perdoai-me. Como permiti que tentassem arrancar-Vos de mim? Que lassidão dominou meu espírito, a ponto de ser permissivo & aceitar que Vos blasfemassem intimidante, insistente & incessantemente? Como ousei assentir com o triunfo do império da ira & da concupiscência, menosprezando a portentosa regência da razão? Por que não desejei com toda a força de minha alma & de meu entendimento dispor a mim mesmo para o melhor estatuto de espírito, para a excelência ótima da famélica pobreza espiritual?

Eu tinha fome do pão dos anjos, mas privava minha alma, minha mente & meu coração dos frutos da Árvore da Vida, da flama viva de amor que jorra radiantemente de Vosso Verbo, de Vosso Unigênito Filho, Vossa perfeitíssima imitação, nosso Deus, porque Ele realmente pertence à linhagem de Davi, realmente nasceu da Virgem Mãe e realmente foi cravado na cruz para nossa Redenção. Cristo, o Verbo encarnado, concreta e verdadeira humanidade de Deus Pai, morreu a vergonhosa morte de ladrões e assassinos por nós, ressuscitou por nós, & a beleza de nossa vida está em imitá-Lo, até na Paixão de nosso Salvador.

Duvidando dessa concretude, o lobo, a raposa & a serpente me amordaçaram, para que eu não expressasse fervorosamente a intensidade de meu amor por Cristo & pelo Uno absoluto, Deus Pai, que existe em Santíssima Trindade. Aquelas feras, contudo, não suportam a sinfonia da concórdia que canta amorosamente & a uma só voz a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo, porque elas, dominadas pela conflagração de sua soberba, de sua cólera e de sua luxúria, desconhecem a consonância harmônica dos corações que musicam sua salmodia para dirigirem suas vidas à cidade celeste, pois a bestialidade daquelas criaturas, semelhante à dos anjos malevolentes, as impede de participarem na geometria do universo como as tonantes cordas de uma cítara que louva o Senhor.

Desde a mais tenra idade vivi sob o tirânico despotismo daqueles que me dissuadiam, dia e noite, semana após semana, mês após mês, por anos a fio e incansavelmente, a não ter parte em Deus Pai, pois apedrejavam & linchavam, com sua fétida verborragia ctônica, todos os que serviam aos diáconos, aos presbíteros & aos bispos. Aquela alcateia de lobos maquiavélicos togados com os ornamentos tomados aos sofistas envenenava, tanto nas assembleias públicas como nas praças de lazer, as almas de todos os seus concidadãos, para que estes não agissem em nome da fé, da esperança e da caridade, para que não colaborassem uns com os outros para a celebração de uma comunidade virtuosa fundada em uma inabalável crença no Reino de Deus, para que não combatessem o bom combate, para que não cooperassem fraternamente, para que não sofressem com paciência as dolorosas difamações movidas contra quem evangeliza melifluamente para agradar ao Senhor. Muito ao contrário, aqueles lobos atormentavam-me desde a infância com suas fábulas difamantes, caluniando os apóstolos & a instituição eclesiástica, não porque fossem boas ovelhas denunciando a opressão de carniceiros que maculavam suas batinas com pecados indecorosos, mas porque eram virulentos vetores de todo tipo de discórdia, promotores da deserção maciça no interior do rebanho.

No entanto, em minha alma desejava que o batismo perpetuasse como um broquel, minha fé continuasse como um elmo, minha potente lança fosse sempre a caridade, & nunca tivesse por grossa armadura senão o exercício da paciência, permanecendo um valoroso guardião obediente não só à Hierarquia Celeste como àquela encabeçada supremamente pelo sucessor de Pedro. Pois todos os que cremos na Santíssima Trindade & desejamos viver a fé na comunidade onde vige a hierarquia eclesial para congregar-nos na unidade fundamental em Cristo Redentor, sabemos que podemos ser as plangentes cordas da grandiosa cítara que, afinada com o tom de Deus em Sua unidade, semeia por toda a Criação a harmônica sonoridade do concerto & da sinfonia, reflexos do Paraíso em que todo Onde é a pura Música da Luz.

Caros irmãos, eu vos convido ao amor & à união, pois somente edificaremos uma comunidade harmoniosa & consonante, se orarmos de acordo com Cristo Salvador na última ceia, reunindo-nos todos em uma única súplica, em uma única mente, em uma única esperança no amor, acorrendo todas as ovelhas para o seu Pastor, Jesus Cristo, o único templo & o único altar do Criador do Céu & da Terra, pois o Verbo encarnado é um, permaneceu unido ao único Deus Pai procedendo Dele, retornando a Ele na unidade, como já pregava Inácio de Antióquia, santa voz que tanto incomoda a súcia de malfeitores ctônicos. Pois Jesus Cristo está onde está a Igreja Católica, & a comunidade dos crentes fiéis a Jesus Cristo deve primar pelo amor, presidindo digna & veneravelmente, porque presidindo à caridade para com os irmãos depauperados, pobres de espírito, que necessitam da bem-aventurada comunidade que observa o mandamento de Cristo visível na unidade do exercício da fé & da caridade, excelências qualitativas dos fiéis que fundam e coroam a unidade da Igreja Católica, universal em seu amor, porque nosso coração almeja unir-se com Ele & viver n’Ele, devotando-nos à Sua Igreja, em unidade com o bispo, para servir generosamente à comunidade e ao campo a ser semeado, o mundo. Porque o dogma fundamental, combatido com incendiários petardos pela serpente alada como um anjo, é que Cristo é homem & Deus, não se podendo dividir a humanidade & a divindade de Nosso Redentor, da Árvore da Vida, do Cordeiro imolado para redenção de nossos pecados. Jesus Cristo é Aquele indiviso, sendo dever da comunidade fiel estar cada vez mais de posse desse dogma, para que todos comunguemos igualmente no interior da Igreja & evangelizemos o Reino de Deus desde o centro & o topo dessa comunhão fundada na imitação da unidade originária & pura, prerrogativa de Deus que é trina Luz.

Se isto realmente aconteceu por toda parte, em Roma, Antióquia, Esmirna & Magnésia nos tempos primevos, humildemente flexiono meus joelhos para implorar a Deus Pai Todo-Poderoso a graça da unidade, para que todos nós nos amemos uns aos outros com um coração indiviso, porque por Vós, Luz Trina, Família de amor, nossos espíritos se ofertam em oblação, para que possamos ser encontrados nos braços do Cordeiro imaculados, purificados pelo amor.

 Nossa Senhora, valei-nos! Intercede por nós, para que edifiquemos, purificando-nos por meio do amor divino de nossos pecados, a comunidade unida em concordante e sinfônica canção, & cantemos a unidade de Deus a uma só voz!  

II Conversão


                                                                    II

O despotismo dos antifilósofos, daqueles abutres que devoram incansavelmente os corpos moribundos dos apologistas da verdadeira sabedoria flagelados & cravados no madeiro, sempre açoitou minhas frágeis espáduas nas universidades & nas instituições culturais, onde a palavra Cristo soa como o pior palavrão em uma ditadura sob a qual as únicas vozes permitidas são aquelas dos sofistas, desses homens bestiais que trajam a trevosa plumagem dos abutres & exalam o bodum de uma moral de senhores, que veem na fé cristã uma rebelião de escravos esgotados & descontentes com a crueldade do mundo, que, para eles, é puro conflito sem redenção.

Que os homens serventes a muitos deuses cheios de desejos violentos & libidinosos nos odeiem, não nos assusta mais do que a possibilidade de silenciarmos diante do Cordeiro Crucificado, abandonando-O, quando Ele não nos abandonou, salvando-nos com a forma de Sua vida, pois o Reino dos Céus, cuja evangelização era livremente um dever de nosso Deus, Jesus Cristo, é como um homem que semeia boas sementes (pois Donde a origem da Criação, & Aonde ela se dirige, senão de Deus & para a colheita, na qual a cizânia & o grão serão separados por Cristo & suas milícias angélicas, para ajuizamento de quem será levado com Ele para a glória eterna do Pai?).

Um ancião encontrado na praia pôde me provocar uma enorme crise de questionamentos, pois demonstrou a mim, que já havia peregrinado por Platão, Aristóteles & Cícero, investigando acerca da Verdade, que sozinho eu não saciaria com minhas próprias forças minha sede de conhecer o divino, aspiração bastante soberba mesmo para um platônico (que se humilha ao dizer que ama a sabedoria, mas que só os deuses são sábios). Porque somente pela exortada oração a Deus Pai os portais luminosos se abririam para o verdadeiro Filósofo, dirigido para encontrar o caminho do Criador pelas sábias palavras dos antigos profetas & dos filósofos, pois se o ancião fora breve em suas exortações indicativas, longo seria o itinerário filosófico nessa investigação inquisitiva da Verdade, a qual culmina na fidelidade ao Crucificado, pois Jesus Cristo veio ao nosso encontro para que encontrássemos a arte bela de viver com retidão. Ora, viver com retidão moral é uma expressão que soa tão harmoniosa para aqueles que são incapazes de conceber o belo moral, que já vejo as presas venenosas da víbora infernal planejando uma emboscada contra todo aquele que age de modo reto, & não tortuosamente como as bestas que rastejam sussurrando que nossa fé cristã não coaduna com a eudaimonia dos epicuristas & dos estoicos. De fato, nem desejamos o atomismo ateu & o hedonismo dos primeiros, nem o pessimismo & o ódio suicida contra o corpo dos segundos, tão preocupados com sua glória humana & desconhecedores da eterna glória de Nosso Senhor.

Porque Jesus Cristo é a plenitude do projeto de Deus Pai, concretizado na criação & na salvação, porque Cristo é o eterno Verbo, a eterna Razão, a criadora Razão, é LOGOS. Como criatura humana, união de uma alma racional a um corpo humano, como homem, eu trago comigo uma semente de Deus Criador, podendo colher fracos clarões da radiante Verdade. Na Lei antiga, o LOGOS manifestou-se nos profetas ao povo de Israel, & em parte Ele também se manifestou nos filósofos gregos, aos que chamaríamos de sementes de verdade (como a escatologia das almas em Platão, que, se prenunciava no Além um Inferno, um Purgatório e um Paraíso para as almas que viveram ou viciosa ou virtuosamente no Aquém, dissolvia essa estrutura numa influência gnóstica órfica incompatível com a ortodoxia dos Padres da Igreja). Contudo, como Cristo é histórico & pessoal (Deus & homem em uma só pessoa no centro da história humana), com Justino Mártir podemos ajuizar o que há de belo no que foi expresso pelos filósofos gregos, pois é pertença dos cristãos. Porque Cristo é a Sabedoria, é dever do fiel cristão não contrastar a filosofia grega com a verdade dos Evangelhos, mas fazer com que se encontrem de modo benigno, exigindo-se, porém, um prudente discernimento: que o cristianismo seja a única & verdadeira filosofia, pois ela se origina do & conduz ao LOGOS, sendo o único amor pela sabedoria confiável & proveitosa, porque amor pela palavra de Cristo.

Como se enraivecem os dionisíacos, os trágicos! Como se debatem contra nós os adoradores dos combates no Circo Máximo, os bacantes em suas horripilantes orgias, os idólatras em seus cultos a deuses cobiçosos, invejosos, ambiciosos, tirânicos, cruéis & vingativos! Como racionalmente a Igreja dos primórdios optou pela filosofia grega, em especial Platão, julgo serem verdadeiros tiranos & senhores da verdade que não se justifica por argumentos, mas pela força, os antropófagos reais que são os cultores de Dioniso, o deus devorador cuja imitação conduziu uma rainha a dilacerar & deglutir o próprio filho. Que amor pelo entorpecido, embriagado & dissoluto Baco em nossas universidades & centros culturais! “Mas queimemos”, dizem eles, “aqueles que corajosamente rejeitam qualquer compromisso com os iniciados nos rituais presididos pelo bode coroado de hera & celebrado como princípio supremo de individuação: ‘só somos nós mesmos’, afrontam-me os anjos com cara de bode, ‘quando nos dissolvemos na torrente do desregramento’.” Vade retro, Satanás! Nem que Apolo me aparecesse em sua biga, eu nem por isso não seria implacável ao afirmar que Homero, Hesíodo & Ênio são mentirosos autores de fábulas fingidas que despistam diabolicamente os que amam a sabedoria em seu caminhar com a Verdade, pela Verdade & na Verdade. Virgílio ainda pode ser lido, por sua Écloga anunciadora do Messias. Porque Platão percorria asceticamente o caminho que conduzia ao Bem Supremo, via-se defendido por um Deus que vingava os sofredores, & apontava as inconsistências morais na conduta dos deuses configurados pelos mitos homéricos. O cristianismo presente na filosofia ascende como contraste frontal contra a mitologia, para revelar a verdade do Ser: Deus. Contra a mitologia conformada em ritos, convenções & costumes, a partir do Deus do platonismo contra os falsos deuses do panteão pagão, o filósofo cristão racionalmente se decide pela verdade do ser & se contrapõe à mitologia consuetudinária. Como esbravejam as bacantes, cambaleando pelos corredores da universidade depois de uma profunda embriaguez que, além de adoecer seu corpo, lhes proíbe de pedirem perdão a Deus pelo mal que fizeram a sua natureza: ao contrário, preferem exaltar seus bárbaros costumes & nos chamar de “escravos rebeldes, ressentidos, escória de esgotados que fulminou o Império Romano”.

Com Tertuliano eu posso afirmar que Nosso Senhor Cristo é a Verdade, & que Ele não se confunde com uma moda cultural, um costume da juventude libertária, que prega a ditadura do relativismo cultural num arrogante desconhecimento de que a opção pela verdade (como visível em Platão) é a fundamentação de uma axiologia ordenadora não só da cidade terrena, mas a base para uma cosmologia que plenifica a própria alma humana. Por que não rezarmos juntos para que as portas da luz se abram para nós, para que nos seja concedida a graça de discernir prudentemente o que é verdadeiro ou falso, & assim contemplarmos & compreendermos Deus & seu Cristo, que nos concedem esse dom? Oremos, irmãos. Peçamos a graça da prudência que discerne ao nosso Pai.                                     

III Conversão

                                                                           III

A Igreja de Deus peregrina pelo universo da Criação, desejando a todos que superabundem a paz, a misericórdia& o supremo amor de Deus Pai & Cristo Filho. O devoto de Satanás, porém, que é todo aquele que inventa fábulas detratoras de nossa fé, sorri quando cidadãos esgotados pelos suplícios praticados pelas piores criaturas (aquelas tiranizadas por suas paixões mais iracundas & luxuriosas) são dilacerados pelo flagelo da descrença, da desesperança & da precipitação no abismo da hostilidade dos mortais que se vangloriam de sua astúcia & de sua força neste mundo. Porque o devoto do anjo caído se regozija quando brutalmente açoita o espírito de um cidadão que traz em sua alma aquele desejo de ser ele mesmo uma cítara harmônica em constante salmodia: o malevolente usa seu chicote para abrir a sedosa pele da alma, para poder cuspir seu odioso veneno nas veias& artérias onde flui a caridade para com o próximo, a fé em Deus & a esperança na ressurreição da carne. O demoníaco, como em uma escavação psicanalítica, dilacera a alma do temente a Deus, até chegar às vísceras & aos órgãos da potência racional, para arrancá-los impiedosamente, abandonando depois a alma quase sem fôlego para ser finalmente devorada pelas feras que servem a Baco, ao anjo mórbido ou ao mau Demiurgo: a qualquer entidade, real ou não, idolatrada pelos intelectuais cuja quantidade de títulos ostentados aponta, ao contrário, o ignóbil estado de abominação ética, política & cognitiva no qual falecem a cada minuto. Com a graça de Deus Pai, necessitamos superar nosso temor natural da morte violenta, pois se a prudência da carne ordena que cedamos em nossa fé para que triunfem esses fisiólogos nacional-socialistas, nossa salvação exige que não sejamos imprudentes segundo o espírito, pois não são a descrença, a desesperança e a hostilidade senão vícios, que o arcanjo deve calcar a seus pés como o faz com a serpente dos ínferos.

O bom pastor é aquele que conduz a si & a suas ovelhas com prudência, verdadeira erudição haurida das Escrituras & fervor na evangelização do Reino dos Céus. Este que vos fala é apenas um escriba em conversão, cuja voz foi duramente silenciada pela súcia de gnósticos travestidos de mestres em toda parte, que argutamente jogaram suas fezes na clara água onde repousava a verdade da fé, para que eu, não podendo ler o que me fosse concedido no livro da vida que é o Crucificado, não contra-atacasse o gnosticismo & sua defesa da desventura do homem na hostilidade de um mundo sufocado por um mau Demiurgo. Ora, se à matéria é atribuída a maldade, isso se deve a certo influxo da gnose órfica em Platão. Todavia, se para Platão, filósofo apreciado por Justino & Irineu, o Demiurgo era o deus inferior à ideia suprema do Bem, ele conformou o mundo sensível & o mundo das almas contemplando as Formas inteligíveis, as articulações primeiras da realidade, de modo que sua inferioridade em relação à ideia suprema do Bem não lhe desqualifica, pois Platão mesmo o considerava um deus ótimo, por haver tirado do caos para a existência cósmica.

Ademais, uma vez liberta do corpo, segundo a escatologia platônica, a alma, se virtuosa em sua vida no Aquém, goza a eternidade na ilha dos bem aventurados, retornando para o Absoluto. Os gnósticos, ao contrário, tomam o mundo & seu Demiurgo como funestos, porque para os gnósticos só é bom o que não se manifesta em nossa existência, de modo que a alma, liberta do corpo nefasto, retorna ao Ser oculto, não manifestado, de vez que a bondade, para o gnóstico, consiste na não manifestação do ser na vida humana. De modo que os gnósticos, rebeldes contra toda a tradição eclesiológica & eclesiástica, inventaram uma doutrina antagônica não só àquela apostólica & episcopal, insurgindo-se contra qualquer cosmologia oriunda da firmeza da doutrina bíblica ou da predominância da razão (platônica) da filosofia grega. 

Contra a coerência interior a toda fé em um único Deus Pai, os gnósticos se multiplicam como gafanhotos, fragmentando-se em bizarras correntes, espalhando-se como uma virulenta praga sobre o campo a ser semeado pelo zeloso evangelizador do Reino. Como esses gafanhotos maniqueístas dilaceram o trigo, corroendo o grão da verdadeira fé& fazendo grassar a cizânia no espírito do homem? O gnóstico não crê em um único Deus Criador, mas em um Deus bom, indiferente ao mundo, & em um mau Demiurgo, princípio negativo criador da matéria, de modo que a maldade do corpo se funda nesse pessimismo depreciador do corpóreo, porque originado de um deus mau. Se porventura qualquer um encontra semelhanças entre um intelectual gnóstico & o Satã de Paradise Lost, não será mera coincidência, pois o Satã de Milton é um dualista em perpétua rebeldia contra a originária santidade da Criação, nela incluídos o corpo, a carne & o espírito, além de ser um DIABOLOS, isto é, aquele que divide, que causa intrigas, para causar a queda, dilacerando a harmonia do sinfônico concerto das potências de nossa alma que, pela graça divina, pode nos conduzir a ter parte no Reino dos Céus.

Porque Deus criou o homem com barro, com o que é fértil & humilde, & não com bosta (como gostariam os gnósticos de todo tipo), uma vez que esses gafanhotos não creem que, confiando-nos a Ele, determinados a escolher retamente pela fé, amor & esperança, possamos atravessar o infinito golfo com a ponte do poder da graça, assim entrando em comunhão com o eterno Pai, de Quem tanto necessitamos. Porque a carne participa da sabedoria & poder de Deus, o Artífice, porque o poder de Deus, que concede a vida, é feito perfeito na fraqueza (2 Cor 12.9), isto é, na carne, como diz Irineu de Lião.

Comecemos a curar as chagas causadas pela praga gnóstica com o seguinte fármaco do santo de Lião: “[...] se o Criador, livremente & de Sua iniciativa, fez & ordenou todas as coisas & se Sua vontade é a única matéria donde tirou todas elas, então Aquele que fez todas as coisas é o Deus único, o único Onipotente, o único Pai, que criou & fez todas as coisas, as visíveis & as invisíveis, as sensíveis & as inteligíveis, as celestes & as terrestres. Com o Verbo de Seu poder tudo compôs & tudo ordenou por meio da Sua Sabedoria; Ele que tudo contém & que nada o pode conter. Ele é o Artífice, o Inventor, o Fundador, o Criador, o Senhor de todas as coisas & não existe outro fora& além Dele, nem a Mãe que eles se arrogam, nem o outro deus que Marcião inventou, nem o Pleroma dos 30 Éões cuja inanidade demonstramos, nem o Abismo, nem o Protoprincípio, nem os Céus, nem a Luz virginal, nem o Éon inefável, nada de tudo o que foi sonhado por eles & por todos os hereges. Só um é o Deus Criador que está acima de todo Principado, Potência, Dominação & Virtude: Ele é o Pai, é Deus, é o Criador, o Autor, o Ordenador, que fez todas as coisas de Si mesmo, isto é, por meio de Seu Verbo & Sabedoria, o céu & a terra, o mar & tudo o que eles contêm. Ele é o justo, o bom; Ele quem modelou o homem, plantou o paraíso, construiu o mundo, quem produziu o dilúvio& salvou Noé; Ele é o Deus de Abraão, de Isaac & de Jacó, o Deus dos viventes, anunciado pela Lei, pregado pelos profetas, revelado por Cristo, transmitido pelos apóstolos, crido pela Igreja; Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; por meio do Verbo que é Seu Filho é revelado & manifestado a todos que ouvem a revelação; & O conhecem aqueles aos quais o Filho O revelou. O Filho que está sempre com o Pai & que desde o princípio sempre revela o Pai aos Anjos & Arcanjos, às Potestades & Virtudes & a todos a quem Deus se quer revelar.” (Adv. Her. II, 30.9)

Que sopro do santíssimo Espírito arejou meus pulmões! Finalmente um pouco de ar puro, encontrado apenas em manuscritos que ensinam a fé simples da Igreja! Glória a Irineu, adversário daqueles que profanam a santidade de nossos corpos com sofismas órficos, estranhos ao espírito cristão! Por que nossas almas não podem exercer sua potência racional &, filosofando verdadeiramente, compreender a coerência de nossa confissão, interpretando o Evangelho com o Símbolo apostólico? Afinal, a Igreja Católica Apostólica Romana prega a simplicidade da fé em um único Deus, & a apostolicidade da Igreja & a confissão de nossa fé provêm de Pedro & Paulo, nunca das invenções fabulosas de sofistas dualistas & pessimistas, pois a própria teologia de Irineu de Lião está inserida nessa tradição eclesiológica & eclesiástica, pois ele a concebeu a partir da evangelização de Policarpo, que, por sua vez, recebeu-a do vidente de Patmos, o apóstolo & evangelista João.

Os gnósticos nada nos dizem de origem apostólica, pois suas elucubrações sobre o mau Demiurgo, fautor do mal na existência humana, propõem como única via de ascensão a gnose, que compreende só haver bondade na não manifestação do ser na existência do homem, de modo que a criatura humana deve querer retornar ao abismo, deve tomar o seu lugar no Nada. Daí que um gnóstico jamais conceba um reto viver, pois, segundo ele, só os esgotados no hostil conflito do mundo necessitam de regras para viver na fé, no amor & na esperança: a verdade & a salvação estão, para o gnóstico, na abertura para o Nada, & não para Deus, o Ser absoluto, & por isso o gnosticismo é um elitismo intelectual absurdo, porque só um Sêneca escreveria cartas a um sobrinho para justificar o suicídio: “Serás escravo? Enfie uma estaca pela boca”. Com efeito, poucos seriam aqueles capazes de compreender a tão excelsa altura de uma regurgitação gnóstica como o estoicismo de um Marco Aurélio (grande verdugo de cristãos), mas muitos enchem o coração com a fé em Cristo, pois comungam a mesma fé pregada por toda parte, como a uma só voz, pelos sucessores dos apóstolos, pois compreendem que podem alcançar a salvação pela comunhão na verdade transmitida pela tradição apostólica, testemunha de Jesus Cristo & de Deus. 

Quando adentramos em uma Igreja capadócia, por exemplo, com portentosos arcanjos guardando a entrada, querubins& serafins sobrevoando a abóbada onde esplende o fulgor da Santíssima Trindade, com as figuras alegóricas dos evangelistas, com as cenas da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, com os quadros dos milagres de nosso Salvador, com o coro de monges entoando cânticos acompanhados harmoniosamente por um tonante órgão, em todo esse mosaico multicolorido encontramos uma mesma modulação de crer na Verdade do Reino dos Céus, como se a Igreja possuísse uma única alma& um único coração, como se ela proclamasse, ensinasse & transmitisse, a mesma verdade da tradição apostólica, em todas as línguas, por toda parte& por todo o tempo humano.

Se aqui este escriba em conversão desliza na tessitura do argumento, é porque me parece que o Espírito Santo garante em todos os templos edificados a partir da tradição eclesiológica uma mesma fecundidade em seus carismas, pois neles vigora a firme coluna da fiel transmissão do conteúdo da fé recebida dos apóstolos & do Filho de Deus. Porque onde está o Espírito de Deus, ali está a Igreja & toda graça, porque ali está o mesmo Sopro divino, a mesma dignidade da criatura humana, que é corpo & alma, a mesma fundamentação da dignidade na beleza da Criação. Afinal, “a imagem de Deus é o Filho, em cuja imagem o homem foi criado, & é por isto que o Filho apareceu visivelmente nas últimas idades do mundo, para revelar que a imagem se Lhe assemelhava.” (Demonstratio, 22)                                                              
                                                                         

IV Conversão

                                                             IV
Nosso Senhor & Salvador Jesus Cristo, Árvore & Livro da Vida, eu só experimento neste subúrbio o amargo sabor da solidão espiritual, pois as culturas não se cruzam em praça pública, porque nossos libertários decidiram que a axiologia cristã deve ser “protegida das paixões populares”, & por isso os materialistas trancaram Vossa palavra dentro dos muros de nossas Igrejas. Nossa cidade é símbolo de uma oligarquia demagoga, onde jovens desperdiçam suas vidas fumando pedras entorpecentes sob os olhares desdenhosos dos rebeldes que combatem pela liberdade absoluta de cada um de precipitar-se no abismo do Nada, quando nenhum deles há que não oriente sua prole a conduzir-se em conformidade com os bons costumes da sociedade burguesa que eles hipocritamente criticam. Não, os libertários, com seu egoísmo de burocratas que detestam o monarca & a Igreja só porque querem comandar como uma nova aristocracia & dar sermões (imorais) como novos sacerdotes, pouco estão se lixando para a violência que grassa nos subúrbios. Se jovens depauperados são executados nas vielas, nossos libertários bradam contra a segurança pública, nunca contra a narcoguerrilha, pois só se associam com a mais absoluta licenciosidade (desde que o sangue inocente não espirre nos muros de seus condomínios).
Minha maturação espiritual ocorre passo a passo, ao tomar consciência de que não posso declamar salmos imprecatórios contra criminosos hediondos, de vez que libertários & anarquistas se dão as mãos para garantir como direito individual fundamental a liberdade absoluta dos hediondos narcotraficantes, que pela lei mais eivada de iniquidade, não podem sequer ser investigados, & menos ainda reprovados moralmente. Ó tempos! Ó costumes!
Eu mesmo me exortei a perscrutar o caminho da verdadeira fé, ainda que começasse pelos diálogos de Platão, porque pertence à nossa tradição aquela fé que busca o intelecto. Contudo, em meu caminho encontrei uma Pessoa, Jesus Cristo, Deus humilde que se fez pequeno para que pudéssemos ver a grandeza do Pai. Em Jesus Cristo, Deus Pai, nosso rochedo & nossa fortaleza, nos exorta para que determinadamente caminhemos pela única via que nos conduz à luminosa Verdade. Ele nos exorta ao batismo na Igreja Católica, para que nos tornemos Seus filhos, & tenhamos em Cristo Rei nosso educador & nosso mestre, pois a profundeza de seus ensinamentos de amor (Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei), dá o horizonte a ser seguido no percurso a ser trilhado, não sem fadigas, pelo catecúmeno & pelo batizado, que logo é exortado a treinar seu voo com as asas da Fé & da Razão no sentido de conhecer o Verbo de Deus, Jesus Cristo, a Verdade. Só podemos conhecer a Verdade se conhecemos a Pessoa de Cristo Rei, nosso Deus.
Por isto, não confundimos a verdadeira gnose, a verdadeira inteligência que alcança a Verdade divina, com todo o discurso falso dos gnosticismos órficos & niilistas, que tentam encobrir a Verdade com uma obscura poética das sombras. Porque só a fé católica, compelida por uma exortação de princípio sobrenatural, pode construir, pela razão, a verdadeira catedral do conhecimento de Cristo, edificando a conversão maximamente verdadeira no caminho que deve ser percorrido em nossa vida, erigindo, assim, a única & verdadeira Filosofia. Porque só podemos desenvolver nossa fé cristã como a única & verdadeira gnose se nossas almas se unirem a Cristo Rei, ao Cordeiro de Deus, aquele que tira os pecados do mundo, a Verdade de Deus que nos exorta a nos conduzirmos para Ele.
Todos os cristãos devem viver sua fé em comunhão, & essa comunhão se dá na abertura de todos & de cada um para a santidade, esse horizonte de resplendentes raios de amor. Se os cidadãos vivem a fé em seu cotidiano, orando, praticando os mandamentos de amor ordenados por Cristo Rei, indo à missa & dedicando-se, na medida do possível, a evangelizar o Reino dos Céus, sempre observando os dogmas da Igreja encontrados nos Pais & Doutores da Igreja, como em São Clemente de Alexandria, é um nível de experiência cristã bastante louvável. Pois há quem, no interior dessa comunhão da fé, possa ser chamado de verdadeiro gnóstico, ou de cidadão verdadeiramente inteligente & crente, que se põe de coração & de mente abertos à perfeição espiritual, que corresponde ao percorrer de um caminho em busca do conhecimento do Verbo de Deus, tendo por educador & mestre Jesus Cristo, para que assim possa alcançar as verdades constitutivas da fé & a Verdade mesma, Cristo Rei que nos resgatou & nos reconduz a Ele mesmo, que é o Caminho, a Verdade, & a Vida.
Contudo, o conhecimento alcançado pelo verdadeiro gnóstico, é uma experiência viva da fé católica, porque nem se reduz a uma simples teoria sobre o conteúdo da fé nem é uma prática do amor sem uma busca esforçada pelas verdades que constituem esse mesmo conteúdo da fé: a verdadeira gnose é a união da alma do crente a Jesus Cristo, pois o amor só transforma a vida do homem se este, exortado por Cristo Rei, se deixar conduzir pela Verdade para a união n’Ela. Porque o autêntico gnóstico conhece Cristo como o amor que desfecha o nosso olhar, gerando na alma do homem a comunhão com o Verbo de Deus, aquele que dá sentido à vida humana, & nela o cristão se unifica com Deus, pela contemplação da Verdade & Vida do Verbo nessa comunhão, alcançada pelo conhecimento perfeito & pelo amor. Filosofia & caridade devem doravante caminhar sempre juntas, pois o LOGOS é amor. Ninguém está privado da luz desse amor, & todo coração humano pode converter-se em candelabro dessa luz.
Quando Deus criou o homem, Ele nos criou concedendo-nos a conaturalidade com Ele, criando-nos à Sua imagem & à Sua semelhança. Esse é o nosso fim último: tornarmo-nos semelhantes ao Senhor. O propósito de encararmos o desafio & caminharmos guiados por Cristo Rei é possibilitado por nossa conaturalidade com Ele, para que caminhemos para nossa perfeição espiritual. Em primeiro lugar, o homem deve aderir á fé católica, à comunhão que é conhecimento do divino Verbo, Verdade & Vida, &, partindo dessa fé, vive-la no exercício da virtude, a qual pode alcançar a visão contemplativa de Deus, Criador do Céu & da Terra. Não podemos conceder maior valor à uma prática moralmente reta ou a um conhecimento intelectual das verdades da fé, porque o exercício da virtude & a filosofia andam de mãos dadas: eu não conheço a Deus sem viver guiado por Cristo, sem a prática do amor, & não posso viver guiado por Cristo sem um conhecimento íntimo do Verbo de Deus, sem a verdadeira filosofia construída pela fé. Viver conforme o LOGOS, viver conforme a Verdade anda de mãos dadas com a verdadeira Filosofia, & uma vez que ambas as exigências são concomitantemente cumpridas (viver segundo Cristo & conhecer a Cristo), o verdadeiro gnóstico pode assimilar a Deus & contemplá-Lo. Se a sombra acompanha o corpo, as ações virtuosas devem seguir a verdadeira Filosofia.
A alma do inteligente que conhece a Verdade é ornada por uma dupla de virtudes que conjugam a impassionalidade diante das paixões tiranas & a verdadeira paixão do cristão, o amor daquele que busca unir-se intimamente com o Pai. A APATHEIA é a impassionalidade do autêntico gnóstico, que busca libertar-se da tirania das perturbações passionais. O amor é a verdadeira paixão daquele que aceita a condução de Cristo Rei, nosso mestre, que nos exorta a subir de altura em altura em uma vertiginosa & incessante escalada, no escopo de assimilarmos a Deus, possibilitando-nos, a partir da perfeita paz concedida pela experiência do amor, encarar até o extremo sacrifício daquele que aceitou caminhar guiado pelo Verbo encarnado rumo à união com o Pai eterno. Para assimilar a Deus, a criatura humana fiel à Verdade sabe que pode enfrentar até a cruz ao seguir as pegadas do Cordeiro de Deus.
Faz-se necessário o diálogo fecundo entre a filosofia platônica & o anúncio do Evangelho, nesta modernidade libertária & comunista que desenterrou do esgoto das pulsões ctônicas a tradição órfica, a ritualidade orgiástica, a violência de deuses & heróis homéricos, a dilaceração da alma própria das personagens da tragédia ateniense, a apologia estoico-niilista do suicídio, a imoralidade como fundamento da ação política, a aversão à caridade como sinal de tradição transvalorada, a sociedade sem classes inventada & dominada pelo Partido, a luxúria mais voluptuosa como modo propriamente humano de viver a sexualidade.
Diante dessa expansão dos panfletários do caos, cegos à tirania do narcotráfico, dos latrocidas & dos cafetões, indiferentes ao pranto das mães que lamentam sua prole abandonada aos vícios mais corrosivos & imiscuída na bandidagem sem esperança de uma vida reta, só os arautos da noite da razão, ansiosos para copularem livremente com o que há de mais sórdido, conscientes de que podem drogar-se, brigar sangrentamente na rua, atropelar transeuntes, estuprar garotas bêbadas, & dedicar-se a todo tipo de crimes maiores, sempre justificáveis pelo seu entorpecimento espiritual & defensáveis pela legislação penal mais permissiva & promíscua do cosmo, é que ratificam as filosofias da suspeita que demoliram toda a cosmologia que enchia de sentido a vida de cada um de nós. Que os mais renomados doutores em filosofia, os quais jamais contarão entre o número dos verdadeiros filósofos, jamais tenham desejado outra coisa para esta sociedade, senão que ela fosse minimamente organizada, minimamente segura & minimamente educada para garantir os impostos ou as mensalidades que pagam seus salários, isto se deve ao fato de que, contrários a toda nossa axiologia católica, sempre se dispuseram a demoli-la intelectualmente, difamando-a, caluniando-a, chamando a todos nós, que nos esforçamos para praticar a virtude, de hipócritas, como se eles, tão somente preocupados com a satisfação de seu baixo ventre, fossem a forma exemplar de toda virtude, pois a virtude, no mundo libertário-social, é não ser caridoso, amoroso, esperanço, nunca ser fiel ao nosso Deus, Jesus Cristo, o humilde nazareno, o Cordeiro que tem piedade de todos nós.
Platão, aquele que começou o combate sistemático contra os poetas & os sofistas, é uma propedêutica para nossa fé católica, pois Deu concedeu aos helenos a filosofia para que ela fosse um Testamento daquele povo: dois riachos confluíam, como revelação, para o Verbo de Deus: um era aquele da lei mosaica para o povo judeu, outro era aquele da filosofia grega para os helenos. É preciso que acentuemos, caros irmãos, não só aos cristãos, mas também aos ateus & aos panteístas, que a verdade pertence à esfera da metafísica, & que o discurso filosófico acompanhado pela fé cristã é um cântico de louvor ao único Senhor & Criador do cosmos.
Cantemos com Clemente de Alexandria ao único Pai, ao Filho, nosso pedagogo & mestre, junto com o Espírito Santo!